sábado, 19 de Setembro de 2009


Não vou repetir a promessa de voltar. Não posso, já o fiz muitas vezes e as promessas transformam-se sempre em mentiras. Portanto hoje estou simplesmente aqui.

Mas pesa-me na consciência este lar, deixado ao abandono. As janelas e as portas partidas, o vento gélido que por elas rompe; as teias de aranha crescem nos cantos, e não só nos cantos como também nos descantos, caindo como um leve véu sobre a face deste desabitado, tal noiva abandonada no altar. Chora baixinho. As pétalas das flores de tulipa do buquê arrastam no chão, juntamente com o pó, velhas folhas, velhos textos. E o vento.


Vou deixar de estar.

domingo, 8 de Março de 2009

(Re)Evanescer


Há coisas que se desfazem e que não sei porque se desfazem, se gostar fosse o suficiente para que se mantivessem e crescessem. Como este blog. Espanta-me como sou capaz de deixar algo ao abandono quando é a minha essência, o meu ar. Poder-se-ia chamar-lhe suicídio, não? Neste caso involuntário, mas assassinada está a minha criatividade.
O bom destas coisas que morrem em nós, por ou sem querer, é que se podem sempre desenterrar; e por muito que demorem a tomar ar e a voltar ao seu esplendor inicial... estas voltam sempre.


E as memórias criam-se sempre.


O Memórias de uma Túlipa voltou, bem que enferrujado, é certo. Mas a enquanto a Túlipa for a mesma, os textos acabarão sempre por surgir.

segunda-feira, 10 de Novembro de 2008


Um gélido suspiro ardente e evanescencem-se os pulmões e os tempos de qualquer memória.


Se o gelo queima, porque é que o fogo não congela? (OU, porque é que um suspiro ardente não refaz um vida.)

domingo, 26 de Outubro de 2008

Ideia de Agora







E Meus Amigos...




"O Que é o Tempo?"

quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

Viva ( Quem diria?)


E eis o que temos: Uma Túlipa cheia de saudades... =].


Bem, com esta Túlipa nada de mais se passa, e talvez por isso a monotonia em que vive acabe por tocar tudo aquilo em que toca.


E aqui volto a ir, que o tempo é muito mas revela-se pouco. Um obrigado grande e umas saudades quase maiores aos que, mesmo assim, me visitam... E aos que não também.


Voltarei em breve, com interpretação possível para "amanha" ou "daqui a uma semana".

quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

Escrita ao contrário: Violoncelos


Tenho de renascer. Obrigo-me a renascer. Para quê morrer? Cheio de mortos está o mundo. E cheia de mundos estou eu.


Mas hoje só ouço violoncelos. Em alto e em bom , optimo som, digo. Graças a Deus (a Deus não, a nós, aos homens, que eu só acredito na Nossa Senhora dos Agnósticos). O silêncio é emudecedor, mas está estupidamente cheio de som.

E digam lá que não é maravilhoso? Maravilhosamente cheio de som. Não de Ruido. De ruido está o mundo cheio. E de mortos. E cheia de mundos estou eu. E se os tenho, e tenho, então, que seja um mundo de cegos, surdos e mudos mais sensíveis ao que os rodeia que os seres que semi-habitam este mundo. Esses, os meus deficientes, ouvem violoncelos, pianos, harpas, sopranos e baritonos, ouvem baterias e guitarras electricas, saxofones e baixos. Ouvem música. Não ruído.


Na realidade o Silêncio é algo ideal. Não existe. É simplesmente uma idealização.

sábado, 13 de Setembro de 2008

Escrita Menina - Esse Meu Tu

Já algum tempo não me vem visitar para ficar esse meu Tu. Esse meu Tu dos olhos doces e do abraço quente, com os lábios rasgados em torrentes de palavras doces e tontas, mas assim mesmo, tão minhas palavras tuas. E de ti?=/ Estás doente meu Tu? É que as saudades também são doença. E é doença minha esta falta de sentidos. Porquê, então, para que raio quero eu os ouvidos, os olhos ou a boca? Para ouvir a bacorada do mundo, ver o ruído das coisas e repugnar-me com o sabor da poluição das almas? Deixa-as lá filho, vendo-as ao diabo ou a um morto, porque morta por morta hei de ter tempo para a coisa e estar morta enquanto se vive, peço imensa desculpa, mas não sou adepta.

Este teu Tu, este teu Tu. É que esse é teu não é meu, sabes, não são bem para mim as palavras que se soltam. Tanto que por vezes não as ouço. Mas é que não são minhas, para quê iludir-me?
E esse meu Tu...

Não sou eu que o amo mais! ... É só ele que me ama mais a mim..